Petrobras e pequenas empresas
A Petrobras adquire um volume de bens, produtos e serviços que supera a somatória das aquisições de vários governos juntos. Por isso, a oportunidade que se abre agora às micro e pequenas empresas, com o Desenvolvimento da Cadeia Nacional de Fornecedores de Bens e Serviços, é inédita. Significa uma quebra de paradigmas e um impulso Econômicoextraordinário, especialmente no setor industrial, onde as micro e pequenas empresas respondem por cerca de 60% dos empregos, auxiliam na manutenção do poder de compra e no fortalecimento do mercado interno.
Conselheiro Joseph Couri
07/06/2010
A Petrobras é uma empresa grandiosa, com números excepcionais, que alçaram o Brasil a um grau de exposição jamais visto, surpreendendo o mundo pela sua eficiência, não apenas pelo seu tamanho. Nossa maior empresa, porém, não atingiu tal excelência sozinha. Aliás, nenhuma empresa é autossuficiente a ponto de não precisar contar com bons fornecedores.
A Petrobras adquire um volume de bens, produtos e serviços que supera a somatória das aquisições de vários governos juntos. Por isso, a oportunidade que se abre agora às micro e pequenas empresas, com o Desenvolvimento da Cadeia Nacional de Fornecedores de Bens e Serviços, é inédita. Significa uma quebra de paradigmas e um impulso Econômicoextraordinário, especialmente no setor industrial, onde as micro e pequenas empresas respondem por cerca de 60% dos empregos, auxiliam na manutenção do poder de compra e no fortalecimento do mercado interno.
O enorme potencial da Petrobras de criar novos negócios reflete-se na expectativa de dobrar a produção de gás e óleo até 2020 e construir cinco novas refinarias, o que vai demandar em quatro anos mais de US$ 35 bilhões/ano de investimento. Um objeto do desejo e tanto para todos os atuais fornecedores, mas acima de tudo para aqueles que até hoje estavam excluídos do processo.
O primeiro passo no sentido de reverter o cenário foi dado. O fato de o assunto ser debatido no âmbito do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República aumenta a expectativa de aproximação real entre milhões de micro e pequenas empresas e indústrias brasileiras e esse universo de fornecedores, até agora restrito.
A próxima etapa será ainda mais desafiadora e vai demandar muito empenho de toda a sociedade, porque envolve ações concretas. Primeiramente, para que tal inserção ocorra, é essencial providenciar alterações profundas na maneira de formalizar essa condição. Hoje, a única forma de iniciar qualquer relacionamento comercial com a Petrobras é preenchendo o cadastro no site. Para começar, há um manual só para explicar os tipos de cadastro. E um passo a passo muito pouco amigável para preenchê-lo, além de uma série de atributos para cadastramento, que envolvem critérios técnicos, Econômicos, legais, ambientais e gerenciais a serem atendidos, alguns obrigatórios, outros classificatórios.
Quem acompanha o dia a dia das micro e pequenas indústrias no Brasil sabe que, em condições normais, é impossível para o microempresário padrão preparar esse cadastro. Em geral, são pessoas ou empresas que sabem produzir, mas não lidar com burocracia.
Mesmo que o pequeno empresário supere essa fase, na eventual hipótese de ser qualificado, não saberá se os bens, os produtos ou serviços serão adquiridos pela Petrobras ou por seus fornecedores. Além disso, os critérios pouco explícitos e transparentes dificultam ainda mais, já que uma empresa pode ter excelentes padrões de qualidade, produtividade e competitividade, mas que só poderão ser comprovados in loco, não por documentos ou certificados.
Para incentivar as empresas a enfrentar esse trâmite, é essencial informar de forma detalhada quais são os bens, os produtos e os serviços que a Petrobras pretende adquirir, quem vai adquiri-los e as condições pré-estabelecidas. A ausência dessas informações desestimula o micro eo pequeno industrial e ajuda a manter a base de fornecedores protegida pela burocracia. Afinal, quanto menor a base de fornecedores, maior será o volume de negócios entre eles.
Em mais de duas décadas de atividade empresarial, tenho defendido tratamento especial para os micro e pequenos empresários, cuja atividade é vital ao crescimento do país. Não me refiro a paternalismo ou a exigências menos rígidas, mas que sejam coerentes com a realidade dessas empresas.
Entidades privadas e governamentais têm se mobilizado para colaborar com a capacitação empresarial, inclusive em parceria com a própria Petrobras, levando informação e apoio aos interessados em participar de licitações e concorrências, mas ainda é pouco. Nesse caso em especial, é preciso simplificar ao máximo os trâmites e as etapas, caso contrário, uma ótima intenção será vencida pela falta de efetividade.
A Petrobras, que tem fornecedores em diversos países e é exemplo de performance, começa agora a abrir as portas para as micro e pequenas empresas brasileiras. Resta deixar entrar uma nova filosofia, a que diz que é preciso facilitar para aproximar.
Empresário, presidente da Associação Nacional dos Sindicatos das Micro e Pequenas Indústrias (Assimpi), do Sindicato das Micro e Pequenas Indústrias do Estado de São Paulo (Simpi-SP) e membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República.
Correio Braziliense
@blogplanalto: Aumento do emprego e da renda é o motor do crescimento sustentável, diz presidenta Dilma http://t.co/eX3HMv1h
@AbdibOficial: Paulo Godoy, pres. da Abdib: O Brasil ganha muito com a concessão nos aeroportos http://t.co/25iFhA33Informações cdes@presidencia.gov.br
Ambiente sujeito a monitoração