Formação profissional deve estimular a inovação
A formação profissional precisa estar atenta à inovação e aos avanços tecnológicos. O alerta foi feito pelo diretor técnico do DIEESE, Clemente Ganz Lúcio, que também é integrante do CDES “Precisamos formar tecnólogos e pesquisadores que vão desenvolver novas tecnologias. Também precisamos formar pessoas que vão trabalhar na ponta, fazendo as máquina operarem”, disse Ganz, nesta quinta-feira, 12 de agosto, durante o debate Educação Profissional e Inovação, realizado pelo CDES na CNI em Brasilia.
Glauber Queiroz
12/08/2010
A formação profissional precisa estar atenta à inovação e aos avanços tecnológicos. O alerta foi feito pelo diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e estudo Socioeconomico (Dieese), Clemente Ganz Lúcio, que também é integrante do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) da Presidência da República “Precisamos formar tecnólogos e pesquisadores que vão desenvolver novas tecnologias. Também precisamos formar pessoas que vão trabalhar na ponta, fazendo as máquina operarem”, disse Ganz, nesta quinta-feira, 12 de agosto, durante o debate Educação Profissional e Inovação, realizado pelo CDES na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI) em Brasilia.
Ganz destacou que o desafio do Brasil é criar uma política de formação profissional para deixar de ser um país exportador de produtos primários. “O alcance de uma política industrial vigorosa depende da capacidade de crescimento da produtividade, da ciência e da tecnologia para que as pessoas sejam capazes de realizar as inovações necessárias para agregar valor aos produtos”, destacou.
Durante o encontro, o empresário Antoninho Trevisam, outro integrante do CDES, acrescentou que a formação básica de qualidade é fundamental para o desenvolvimento da formação profissional. O diretor de Políticas em Educação Profissional e Tecnologia do Ministério da Educação e Cultura (MEC), Luiz Caldas, apontou as dificuldades enfrentadas pela falta de mão de obra qualificada. “Muitos estudantes saem dos cursos e não conseguem trabalhar em equipe, não conseguem escrever um texto e não conseguem aprender uma nova realidade”, ressaltou.
Segundo ele, a educação profissional depende de políticas públicas que promovam o acesso ao ensino superior, à expansão da rede pública de educação profissional e à qualificação de professores.
INOVAÇÃO NO SENAI - Um exemplo formação profissional inovadora foi apresentado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) que desenvolve os cursos de capacitação alinhados à demanda de mercado. “Oferecemos formação profissional com recursos inovadores que desenvolvem nos alunos o interesse pela inovação”, disse o assessor da Direção Geral do SENAI, Alberto Borges de Araújo. Ele apresentou os cursos que estão sendo desenvolvidas com tecnologias 3D, uso do celular para enviar conteúdos aos alunos e simuladores de plantas industriais.
Araújo também mostrou a modalidade de educação a distância criada a partir das novas tecnologias em Web e constantes mudanças da demanda mercado. Os cursos trabalham com competências transversais, que abordam no mesmo curso, temas sobre meio ambiente, gestão, tecnologia da informação e comunicação e propriedade intelectual. “A formação profissional voltada para inovação é um instrumento para o desenvolvimento sustentável, para a democratização de oportunidades, a produtividade e a competitividade das empresas”, destacou Araújo. “Também é decisiva para garantir a participação ativa e consciente do trabalhador no desenvolvimento socioeconômico do Brasil.”
Participaram do encontro empresários, representantes dos Ministérios de Ciência e Tecnologia e da Educação além de diretores de associações setoriais. O debate, promovido pelo Observatório da Equidade da CDES apóia a formulação de políticas públicas e ações que promovam igualdade na sociedade. O observatório identifica os fatores relacionados às desigualdades no ensino e constrói propostas para ampliar o nível de escolaridade e melhorar o desempenho do sistema educacional.
PRIORIDADE PARA INDÚSTRIA - Na avaliação da CNI, a qualidade da educação é um dos pilares do crescimento sustentado. Os desafios que o Brasil precisa vencer nesta área estão no documento A Indústria e o Brasil: uma Agenda para Crescer mais e Melhor, que a CNI entregou aos candidatos à Presidência da República Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV) em 25 de maio. De acordo com o documento a educação é base para formação de pessoas capazes de acompanhar as mudanças tecnológicas. “O país necessita de mão de obra qualificada para poder incorporar e desenvolver novas tecnologias”, destaca a CNI.
Entre as propostas da indústria para melhorar a qualidade da educação estão: cumprir a meta de redução do analfabetismo, aumentar os recursos para a educação, priorizando a educação básica e a qualidade, estimular o ensino médio profissionalizante e qualificar os professores. A CNI recomenda ainda a substituição da gratuidade da universidade pública por bolsas de estudo e o estímulo à interação da universidade com as empresas.
Portal CNI
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