O peso da educação
Estado que tem no dinamismo sua marca registrada, São Paulo poderá ter seu crescimento limitado pelo teto da infraestrutura. É imperativo criar condições para melhorar os investimentos, o crédito e os financiamentos de longo prazo para serviços e obras de grande porte. O Brasil aplicou na infraestrutura cerca de R$ 58 bilhões em 2003. Conseguimos duplicar esses investimentos, atingindo R$ 121 bilhões em 2009.
Alexandre Padilha e Paulo Godoy
01/09/2010
Estado que tem no dinamismo sua marca registrada, São Paulo poderá ter seu crescimento limitado pelo teto da infraestrutura. É imperativo criar condições para melhorar os investimentos, o crédito e os financiamentos de longo prazo para serviços e obras de grande porte. O Brasil aplicou na infraestrutura cerca de R$ 58 bilhões em 2003. Conseguimos duplicar esses investimentos, atingindo R$ 121 bilhões em 2009. Reconhecidos os esforços, é preciso enfrentar os desafios que emergem depois de oito anos de governo do presidente Lula. A taxa de investimento público federal deverá fechar o ano em 3,3% do PIB, alcançando 4% do PIB em 2015. É a melhor marca desde 1994, mas ainda insuficiente para sustentar o desenvolvimento brasileiro. É necessário ampliar o financiamento de longo prazo, que representa 20% de todo o crédito concedido no país.
O Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República (CDES), órgão consultivo composto por 90 lideranças da sociedade civil, promoveu em agosto um encontro na Fiesp para apresentar aos paulistanos a "Agenda para o Novo Ciclo de Desenvolvimento". Discutimos os pontos considerados essenciais para que o Brasil prossiga o seu caminho em direção ao crescimento com inclusão social. O papel da infraestrutura é um deles.
Com a entrada dos recursos para a exploração do petróleo da camada do pré-sal, é possível prever que devemos chegar à marca dos R$ 160 bilhões de aportes na infraestrutura em 2014. Desse total, R$ 75 bilhões serão voltados para a área de petróleo e gás, o setor que continuará sendo o carro-chefe do investimento no Brasil. Haverá reflexos em toda a cadeia de serviços. É um desafio e tanto transformar a nossa indústria num player mundial nesse segmento.
No Brasil, o governo investe 0,59% do PIB em pesquisa e desenvolvimento (P&D), enquanto o setor privado aplica 0,50%. No Japão e na Coreia do Sul, por exemplo, os empresários investem o equivalente a mais de 2% do PIB, enquanto o governo aplica menos de 1%. Precisamos elevar os investimentos em P&D a um novo patamar. O CDES mantém um grupo de trabalho de infraestrutura para buscar mecanismos e alternativas ao financiamento de longo prazo. Devemos destacar a importância do BNDES. Instituições de fomento atuam para permitir a queda dos juros e fortalecer o mercado de capitais e o financiamento de longo prazo.
Não à toa, a infraestrutura liderou os desembolsos do BNDES entre janeiro e junho de 2010, com R$ 28,3 bilhões (40% do total liberado). É investimento altamente saudável para a economia, capaz de gerar empregos, estimular inovação tecnológica e ampliar as exportações e o bem estar social. O CDES levou para outros estados esse debate, com a intenção de colher sugestões para o seu aperfeiçoamento. Agora os paulistas se juntam a essa frente. O sucesso das ações compartilhadas determinará a nossa evolução social e econômica diante das novas oportunidades.
Alexandre Padilha, ministro de Relações Institucionais
Paulo Godoy, presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base
Brasil Econômico
Reunião Regional IX São Paulo (SP) - 19/08/2010 - Apresentação da Agenda para o Novo Ciclo de Desenvolvimento 
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