Terça-feira, 22 de maio de 2012
 
Artigo conselheiro

Soluções para qualificação profissional

A falta de profissionais qualificados em número suficiente para atender ao firme e dinâmico crescimento da economia brasileira é mais uma constatação do quanto erramos em toda nossa história ao relegar a segundo plano o investimento num ensino público de excelência. Apesar dos avanços dos últimos anos, em especial quanto ao aumento no número de matrículas, o desafio mantém-se. Será, sem dúvida, uma das prioridades para os governantes - governadores e presidente da República - que iniciarão seus mandatos no próximo ano.

Antoninho Marmo Trevisan

01/09/2010

 

 

Conselheiro Antoninho Trevisan Conselheiro Antoninho Trevisan

A falta de profissionais qualificados em número suficiente para atender ao firme e dinâmico crescimento da economia brasileira é mais uma constatação do quanto erramos em toda nossa história ao relegar a segundo plano o investimento num ensino público de excelência. Apesar dos avanços dos últimos anos, em especial quanto ao aumento no número de matrículas, o desafio mantém-se. Será, sem dúvida, uma das prioridades para os governantes - governadores e presidente da República - que iniciarão seus mandatos no próximo ano.

A necessidade é tão urgente que não se pode ficar à espera de uma reestruturação do ciclo básico da educação ou do acesso da população à universidade. Com o crescimento da economia, as empresas estão atrás de profissionais qualificados que, com talento, técnica e inteligência, possam movimentar o universo corporativo, que vislumbra grandes possibilidades de crescimento nos próximos anos. Assim, independentemente de continuarmos constatando o problema óbvio da negligência histórica quanto à educação pública, é preciso agir o quanto antes, para ampliar a oferta de profissionais qualificados.

Com esse propósito e na qualidade de relator do tema no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), encaminho algumas proposituras ao colegiado, indicando caminhos ao governo e à iniciativa privada. Deve ficar bem claro, porém, que essa solução urgente não se esgota nos debates desse colegiado; depende do esforço de todos e de ideias capazes de ampliar as alternativas e possibilidades.

Um ótimo modelo, por exemplo, é abater 30% do que as empresas pagam de Imposto de Renda como estímulo para que elas financiem cursos regulares, bem como de aperfeiçoamento e capacitação de seus quadros. A alternativa que parece ser a mais interessante é fazer com que o próprio trabalhador escolha livremente cursos e escolas que queira freqüentar. Os resultados do Programa Universidade para Todos (ProUni) evidenciam o potencial dessa opção de conciliar as necessidades de recursos humanos das empresas com os anseios e expectativas educacionais das pessoas. Nesse programa governamental, o aluno é quem define o que quer fazer e onde quer estudar. Graças a isso, sem burocracia, 320 mil estudantes de baixa renda estão tendo acesso ao Ensino Superior. Não tenho dúvidas de que, em pouco tempo, isso terá reflexos muito positivos no mercado de trabalho.

Existem soluções, bastando criatividade e empenho. Afinal, nem é possível se pensar que segmentos tão aquecidos como o de petróleo, construção civil, naval, montadoras de automóveis e tecnologia da informação parem as máquinas por falta de gente. Somente na área de tecnologia, estima-se que a carência chegue a 350 mil profissionais. Também há déficit de 30 mil engenheiros. Se, em curto prazo, não formos capazes de dar uma virada para reverter essa carência de profissionais qualificados, vamos continuar assistir ao crescimento do desembarque de estrangeiros, cuja procura por visto para ingressar no País, encaminhados aos nossos consulados na Europa, Ásia e Estados Unidos, registrou um aumento de 17%.

Nesse percentual está incluída, certamente, uma leva de executivos de companhias transnacionais que estão fazendo investimentos produtivos atraídas pelo aquecimento da nossa economia. Contudo, não podemos nos iludir: esses números refletem também a contratação de profissionais para preencher vagas de empresas nacionais, suprindo nosso apagão de mão de obra. Constatar os erros do passado já é bem ruim. Não apresentar soluções urgentes e possíveis é pior ainda.

 

* Diretor-presidente da Trevisan Escola de Negócios e membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES)

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