Terça-feira, 22 de maio de 2012
 
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Conferências abordam temas cruciais para novo modelo de governança global

Durante o evento, foram realizadas seis conferências, com palestrantes de diversos continentes, que puderam compartilhar experiências de seus países, discutir temas como taxa de câmbio, tecnologia, tipos de investimento, capital estrangeiro, remessa de rendimentos para o exterior, além de analisar questões sobre a crise internacional e pensar em novos indicadores econômicos e sociais.

Assessoria da Sedes

16/09/2010

 

 

Durante o evento, foram realizadas seis conferências, com palestrantes de diversos continentes, que puderam compartilhar experiências de seus países, discutir temas como taxa de câmbio, tecnologia, tipos de investimento, capital estrangeiro, remessa de rendimentos para o exterior, além de analisar questões sobre a crise internacional e pensar em novos indicadores econômicos e sociais.

A dimensão social foi um dos fatores predominantes da conferência de James Galbraith, economista e professor da Universidade do Texas, que elogiou a liderança mundial do Brasil em diminuição de pobreza. James Galbraith chamou de Estado predatório aquele no qual as forças financeiras assumem o Estado e se transformam em ferramenta dele: "Dinheiro que não passa pelo setor financeiro está disponível para uso público". Ele enfatizou a necessidade de, ao invés de só "crescer", desenvolver um sistema complexo, incluindo saúde, educação, moradia, entre outros aspectos: "Isso irá distinguir sociedades bem-sucedidas no futuro", acrescentou.

A mudança climática deixou de ser uma questão secundária, afirmou Eduardo Viola, professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), em sua palestra, que abordou a relação entre as mudanças climáticas e a governança global, ressaltando o papel fundamental que poucos países têm para resolver o problema: "As grandes potências climáticas são apenas três, as responsáveis por 60% das emissões de carbono". Viola associou a menor adaptação a mudanças climáticas a sociedades mais pobres e com menos capacidade tecnológica, que, portanto, sofrem mais os efeitos das mudanças climáticas. As grandes potências climáticas - a China, os Estados Unidos e a União Européia - são os países relevantes na produção de emissões de carbono e para solução do problema.

De acordo com o professor da Unb, o que se promove, atualmente, é muito aquém do que é necessário para reduzir o problema da mudança climática, entretanto, citou a diminuição do desmatamento no país em um terço, de 2004 a 2009: "algo único na história do mundo", que reduziu as emissões de carbono no Brasil. Ele ressaltou que a mudança na política climática nos EUA é decisiva para uma sociedade de baixo carbono: com a promoção do acordo mundial pelos EUA, aumentam as chances da China entrar em um processo de cooperação.

Larry Randal Wray, economista e professor da Universidade de Missouri, abordou a questão do financiamento para o desenvolvimento, demonstrando o que acontece quando o sistema financeiro toma conta de um país e quais mudanças são recomendadas.

A questão da direção da economia mundial, no contexto do controle global, foi o tópico apresentado por Michael Hudson, economista e professor da Universidade de Missouri. Ele criticou as economias mais poderosas, que, historicamente, facilitaram a transferência de renda e propriedade para elas mesmas, fazendo outros países dependentes financeiramente e com excedentes transferidos para o exterior. Um problema, segundo Hudson, é que a maior parte do crédito é concedido para aproveitar extração de renda, ao invés da formação de capital produtivo. Para o economista,  o Brasil deve criar seu próprio crédito, sem utilização de capital estrangeiro, criando o seu próprio caminho e mantendo sua independência.
 
A conferência de Xavier Timbeau, economista e diretor do Escritório Francês de Conjunturas Econômicas, comentou os atuais indicadores e as perspectivas para mensurar o desempenho econômico e o progresso social. Para Timbeau, o PIB representa um ponto principal nessas análises; quando o PIB sobe, também cresce o bem estar de um país. Mas, para ter uma visão real, é necessário incluir, no PIB, ganho de capital negativo; por exemplo, a consequente destruição do meio ambiente e o dinheiro gasto para reconstruir.

A necessidade de valorizar o conceito de riqueza humana foi o ponto central da apresentação do economista Julio Boltvinick, ao invés de somente utilizar medidas monetárias. Nesta visão, o bem estar social é extremamente importante e não pode ser reduzido ao bem estar econômico.  O tempo livre, portanto, poderia ser um indicador para o bem estar que se geraria com o tempo livre, caso estivesse distribuído igualitariamente.

Ao final do evento, o conselheiro do CDES, Jacy de Melo, coordenador da mesa, registrou a existência de grupos de trabalho no CDES em temáticas relacionadas, como Balanço de Pagamentos e Transações Correntes; e Financiamento de Longo Prazo, para os quais o seminário também servirá de subsídio.

 

Seminário promovido pelo CDES reúne mais de 300 participantes de 15 países 

Seminário Internacional sobre Governança Global - 16/09/2010 

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