Terça-feira, 22 de maio de 2012
 
Artigo conselheiro

Novo ciclo de desenvolvimento: educação e inovação tecnológica

Minas Gerais tem um histórico de liderança na economia e na política nacional. As ricas oportunidades geradas nos últimos tempos fizeram com que o PIB mineiro passasse a crescer numa velocidade superior à economia brasileira.

Alexandre Padilha e Paulo Safady Simão*

08/09/2010

 

 

Minas Gerais tem um histórico de liderança na economia e na política nacional. As ricas oportunidades geradas nos últimos tempos fizeram com que o PIB mineiro passasse a crescer numa velocidade superior à economia brasileira. O Estado, que tem o dinamismo como sua marca registrada, fortaleceu sua capacidade de atração de investimentos públicos e privados em setores tradicionais,como a mineração, a siderurgia e a agropecuária. A nova era de prosperidade que emerge depois de oito anos de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva também impulsionou segmentos tão diversos como complexos, como a construção civil, o comércio, a logística e as comunicações. E as transformações estão apenas começando.

Depois de conquistada a estabilidade econômica, o País teve consideráveis avanços no combate à pobreza. Desde 2003, mais de 30 milhões de pessoas ascenderam à classe média, que hoje representa 70% da população. São brasileiros que melhoraram de vida e que hoje fortalecem cada vez mais o mercado consumido interno. Agora é hora de refletir sobre a nova etapa de evolução econômica e social do Brasil, que se inicia depois de superada a fase mais delicada da crise econômica internacional.
 
As oportunidades para os mineiros são muitas, mas também inúmeros são os desafios. Para responder às demandas dessa nova realidade, Minas necessitará de mais investimentos em educação e em inovação tecnológica. Essa é uma das principais bandeiras defendidas pelos 90 líderes que compõem o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República (CDES), órgão consultivo da Presidência da República formado por 90 empresários, trabalhadores, acadêmicos e representantes de organizações sociais.
 
O CDES lançou em junho a Agenda para o Novo Ciclo de Desenvolvimento, que traz as principais diretrizes a serem seguidas para o Brasil prosseguir o seu caminho em direção ao desenvolvimento com inclusão social. São nove os eixos considerados prioritários: 1) os novos horizontes da educação; 2) os desafios do Estado democrático e indutor do desenvolvimento; 3) a transição para a economia do conhecimento; 4) o trabalho decente e inclusão produtiva; 5) o padrão de produção para o novo ciclo de desenvolvimento; 6) o potencial da agricultura; 7) o papel da infraestrutura (transportes, energia, comunicação, água e saneamento); 8) a sustentabilidade ambiental ; 9) a consolidação e ampliação das políticas sociais.

A educação é considerada pelos conselheiros como prioridade absoluta. O Brasil só manterá o atual ritmo de crescimento econômico e inclusão se houver um compromisso permanente com o ensino de qualidade. No caso de Minas, a educação em todos os níveis, e em especial a profissional, será vital para que o Estado possa a aproveitar as oportunidades que surgirão. Entre elas, o fornecimento de equipamentos e serviços para a exploração do petróleo da camada pré-sal. O Estado será indutor do processo de desenvolvimento nacional na medida em que for capaz de ajudar a responder à demanda pela mão-de-obra especializada, valorizando e formando professores e engenheiros. É preciso investir na qualificação profissional e na educação para o mundo do trabalho.

Os conselheiros consideram necessário incorporar mais inovação à atual onda de investimentos e fortalecer a capacidade competitiva das empresas mineiras. Depois de proposta a agenda do CDES, o governo federal anunciou mais de R$ 500 milhões em recursos para apoiar projetos de equipamentos e serviços, além de redução de impostos para atividades relacionadas à pesquisa.  No Brasil, o governo investe 0,59% do PIB em pesquisa e desenvolvimento, enquanto o setor privado aplica 0,50%. No Japão e na Coréia do Sul, por exemplo, os empresários investem mais de 2% do PIB, enquanto o governo aplica menos de 1%. É necessário elevar os investimentos em pesquisa a um novo patamar

Os conselheiros debateram a Agenda para o Novo Ciclo de Desenvolvimento em 13 cidades. Os mineiros não poderiam ficar de fora desse movimento. No dia 8 de setembro, o CDES organizou um debate em Belo Horizonte, realizado em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG).

Esta Agenda é um documento aberto e em permanente processo de aperfeiçoamento, daí a importância de buscarmos contribuições em todas as regiões do País. Com a parceria entre sociedade e poder público, Minas tem todas as condições de vencer os desafios e aproveitar o bom momento do Brasil para levar mais desenvolvimento e qualidade de vida aos seus cidadãos.

 


*Alexandre Padilha é ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República e secretário-executivo do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República.

Paulo Safady Simão é conselheiro do CDES e presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

Assessoria da Sedes

Reunião Regional XIII Belo Horizonte (MG) - 08/09/2010 - Apresentação da Agenda para o Novo Ciclo de Desenvolvimento 

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