Desafios para 2012
Nosso país tem um compromisso inadiável e urgente com as reformas estruturais postergadas há décadas, Olavo Machado
O mundo, o Brasil e Minas Gerais devem fechar 2011 com resultados discretos no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) - estima-se 2,96% para a economia mundial, 2,9% no Brasil e 2,6% em Minas. Para 2012, estudos realizados pela Fiemg indicam desempenho igualmente deprimido: a economia global crescerá em torno de 3,1%, o Brasil terá uma expansão de 3,3% e Minas Gerais de 2,8%. Ainda mais grave é constatar que a transição de 2011 para 2012 ocorre em um cenário econômico global que apresenta um claro processo de deterioração, potencializado pelo agravamento da crise fiscal na Europa e nos Estados Unidos.
Olavo Machado
05/01/2012
O mundo, o Brasil e Minas Gerais devem fechar 2011 com resultados discretos no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) - estima-se 2,96% para a economia mundial, 2,9% no Brasil e 2,6% em Minas. Para 2012, estudos realizados pela Fiemg indicam desempenho igualmente deprimido: a economia global crescerá em torno de 3,1%, o Brasil terá uma expansão de 3,3% e Minas Gerais de 2,8%. Ainda mais grave é constatar que a transição de 2011 para 2012 ocorre em um cenário econômico global que apresenta um claro processo de deterioração, potencializado pelo agravamento da crise fiscal na Europa e nos Estados Unidos.
Todos os indicadores apontam para um ambiente econômico internacional ainda mais restritivo e instável, que tende a permanecer por um período mais prolongado do que se imaginava, principalmente porque sua reversão exige mudanças socioeconômicas de caráter estrutural que dificilmente serão equacionadas a curto prazo. Na Zona do Euro, a mudança do quadro fiscal de muitos países implica na discussão e definição de um modelo de união fiscal para a região que, por sua vez, se condiciona à capacidade política de cada país rever suas próprias políticas sociais e protecionistas. Nos EUA, o desemprego e o nível de endividamento das famílias permanecem em patamares elevados, o que dificulta a retomada do consumo e da produção.
Como não existe espaço para ilhas de prosperidade nesse cenário global de desaquecimento e recessão, já se observa, no Brasil, o início de um processo de retração do ritmo de atividade econômica, ainda amenizado pela forte demanda interna, pelo vigor do mercado de trabalho e pela expansão da renda e do crédito - como consequência do trabalho realizado nos últimos anos, o Brasil se encontra em posição diferenciada no contexto da economia mundial. Nesse período recente, o traço mais marcante foi o compromisso com a continuidade das ações de governo e a preservação das premissas fundamentais da política econômica.
Também fomos capazes de converter o crescimento econômico dos últimos anos em eficaz instrumento de transformação social, com a inclusão de camadas menos favorecidas da população, pela via da geração de renda e emprego, aos mercados de crédito e consumo, criando um poderoso mercado interno. Por tudo isso, o Brasil está no centro da atenção mundial e é reconhecido como ator estratégico na busca de soluções para a crise econômica internacional.
Em um mundo de economia debilitada, o Brasil é visto como um porto seguro do ponto de vista institucional, da estabilidade econômica e de grandes oportunidades de investimento - com o pré-sal, no setor de infraestrutura e com todos os desdobramentos de negócios e investimentos proporcionados pela realização da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016. Devemos, portanto, tomar a crise internacional como uma grande oportunidade, aproveitando as condições favoráveis de que desfrutamos em um cenário mundial hostil para a maioria dos países que não fizeram no tempo certo as reformas que a realidade exigia.
Neste momento, nossa missão é trabalhar para transformar todas essas oportunidades que diferenciam o nosso país em instrumento de enfrentamento à crise e de apoio ao crescimento sustentável do país. Nessa empreitada, solidariamente, devemos assumir - governo, empresários e os segmentos representativos da sociedade - a responsabilidade de trabalhar para elevar a competitividade da economia nacional. Nosso maior compromisso é atuar para reduzir o chamado custo Brasil, criando condições para aumentar a produtividade da economia de forma a gerar riqueza para o país e emprego e renda para a população.
No começo de um novo ano, devemos nos mobilizar para construir uma agenda positiva que viabilize as reformas estruturais necessárias para reduzir as taxas de juros e a carga tributária, que viabilizem uma legislação trabalhista moderna, que nos conduza à inovação e ao desenvolvimento tecnológico por meio de políticas educacionais, inclusive profissionalizantes, compatíveis com o mundo do século 21. Nosso país tem um compromisso inadiável e urgente com as reformas estruturais que vêm sendo postergadas ao longo de muitas décadas - a tributária, a fiscal, da Previdência, a reforma das relações do trabalho e a reforma política.
Especificamente para a indústria, um caminho complementar, necessário e urgente, passa por políticas que fomentem investimentos no aumento da produtividade das plantas industriais e da inovação em produtos, processos e gestão. São necessárias, igualmente, políticas promotoras de consolidações em vários setores, elevando a escala de produção da indústria, políticas mais agressivas para a exportação, inclusive visando a internacionalização de empresas brasileiras, bem como estímulos para investimentos nacionais ou internacionais que promovam maior integração e agregação de valor nas cadeias produtivas e a ampliação do conteúdo tecnológico. É nessa direção que a indústria trabalha, buscando sempre a parceria sinérgica com todos os segmentos da sociedade.
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Olavo Machado, conselheiro do CDES, é presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Sistema Fiemg).
Publicado no Estado de Minas
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