Diálogos CDES debate Rio+20 e Desenvolvimento Sustentável durante Fórum Social Temático
Os Conselhos de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República e do Rio Grande do Sul promoveram, em Porto Alegre, mais uma edição da série Diálogos CDES. O encontro, que abordou o tema "Rio+20 e Desenvolvimento Sustentável", ocorreu nesta quarta-feira (25), integrando a programação do Fórum Social Temático 2012.
Stela Pastore (CDES-RS) / Silvana Barletta (Sema)
26/01/2012
Os Conselhos de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República e do Rio Grande do Sul promoveram, em Porto Alegre, mais uma edição da série Diálogos CDES. O encontro, que abordou o tema "Rio+20 e Desenvolvimento Sustentável", ocorreu nesta quarta-feira (25), integrando a programação do Fórum Social Temático 2012.
Na atividade foram detalhadas as contribuições que estão sendo elaboradas pelo CDES Nacional à realização da Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável - a Rio+20 -, que ocorrerá em junho, no Rio de Janeiro. O encontro também contou com a apresentação da política para meio ambiente do Rio Grande do Sul e com a exposição dos esforços do Instituto Ethos, voltados à responsabilidade sócio-ambiental no ramo empresarial. O debate foi coordenado pelos secretários dos conselhos brasileiro e gaúcho, Ângela Gomes e Marcelo Danéris.
Referindo-se à Rio+20, Ângela lembrou que a realização em solo brasileiro da conferência da ONU foi sugerida, em 2007, pelo então presidente Lula, que "convidou outras nações a um grande esforço para tratar das questões: crescimento econômico, inclusão social e desenvolvimento sustentável".
Considerando fundamental à participação da sociedade civil no processo de enfrentamento da problemática ambiental e na busca de soluções concertadas e alternativas propositivas, o Conselho Nacional vem se mobilizando para qualificar o posicionamento brasileiro na Rio+20. "Não me refiro apenas à participação presencial do público brasileiro na Conferência, mas sim na elaboração do conteúdo da Declaração que será produzida com ela", destacou Ângela.
Cooperação global e protagonismo dos países emergentes
Resultado desse empenho é o Acordo Nacional para um Desenvolvimento Sustentável, que foi detalhado pela conselheira nacional Nair Goulart, presidente da Força Sindical Bahia e presidente-adjunta da Confederação Sindical Internacional (CSI). O documento foi firmado no âmbito do CDES e assinado por 75 instituições brasileiras, sugerindo uma série de diretrizes quanto ao posicionamento político e estratégico do Brasil na Conferência, assim como à adoção e cumprimento de metas após a realização da mesma.
"O Acordo é resultado de um longo processo de debate e concertação, que tem conseguido influenciar ações governamentais. Percebemos que o governo brasileiro tem acolhido nossas inquietudes em relação ao desenvolvimento sustentável", registrou. Conforme Nair, muitos elementos do acordo já estão sendo considerados e incorporados também pela ONU, na preparação da Declaração Final da Conferência.
Tendo em vista a atual condição do Brasil no cenário econômico global, o documento destaca a importância do país em incentivar outras nações a adotarem compromissos ousados e agendas propositivas. "Pelo mundo afora, costumam dizer que o Brasil é um oásis de esperança para o planeta. Devemos aproveitar nossa liderança e nosso protagonismo para promover esse processo de transformação".
Política gaúcha para o meio ambiente
Para tratar da questão ambiental no Rio Grande do Sul, participou do Diálogos CDES o presidente da Fepam, Carlos Fernando Niedersberg, que abordou a política estadual para o meio ambiente. "Quando assumimos o governo em 2011, percebemos a ausência de uma política própria para o meio ambiente. O que havia eram ações desarticuladas e descentralizadas. Nosso desafio é integrar os esforços entre órgãos do estado e da sociedade civil, consolidando uma política unificada para o RS", declarou.
Segundo Niedersberg, para que o Estado entre em um processo efetivo de desenvolvimento sustentável é indispensável o enfrentamento de problemas históricos sofridos pelo RS quanto ao meio ambiente. Conforme sua perspectiva são três os avanços elementares: no saneamento básico, resíduos sólidos urbanos e matriz energética limpa. "Tratamos apenas 7% do nosso esgoto. Precisamos avançar muito no nosso sistema de saneamento", alertou, relatando os esforços do governo para a reestruturação da Corsan, de modo a conferir-lhe capacidade de investimento para corrigir essa problemática.
Conforme o presidente da Fundação Estadual de Proteção Ambiental é necessário uma mudança na cultura do estado em relação ao seu lixo. "O resíduo urbano deve ser tratado como um grande ativo econômico e não apenas escondido embaixo do tapete. Além disso, é preciso garantir uma destinação adequada e correta àquilo que não pode ser reaproveitado", afirmou. Segundo Niedersberg, o RS tem grande potencial de trabalhar majoritariamente com energia limpa, reservando o carvão mineral como um recurso complementar. "Somos o Estado com a maior quantidade contratada de energia eólica. Temos muita capacidade de trabalhar com energia limpa."
Registrando suas impressões sobre a Rio+20 e o Desenvolvimento Sustentável de uma maneira geral, Carlos Fernando Niedersberg avalia que é preciso aliar inclusão social e a redução das desigualdades. "A miséria é mãe de muitas das desgraças ambientais que sofremos", registrou, acrescentando que o fato de a Conferência ser realizada em meio à maior crise capitalista da história lhe confere um grau de importância muito elevado.
Responsabilidade empresarial
O presidente do Instituto Ethos, Jorge Abrahão, participou da atividade detalhando como essa entidade trabalha para incentivar empresas brasileiras a adotarem um comprometimento com a responsabilidade ambiental. Com sedeem São Paulo, o instituto possui mais de 1.400 empresas associadas em diversas localidades do país. Sua apresentação focou no tema: "Plataforma para uma Economia Verde, Inclusiva e Responsável".
Mobilizar e sensibilizar as empresas a terem um olhar introspectivo à sua gestão, estratégia e práticas é o primeiro desafio da Ethos. No entanto, conforme Abrahão, a entidade busca fomentar valores, dialogando com entidades, trabalhadores, governos e sociedade em geral. "Não há empresa saudável em uma sociedade doente. É preciso atuar em cooperação com os diferentes atores sociais, com outros segmentos, com outras nações, para propor uma solução global", defendeu. O evento Diálogos CDES: Rio+20 e Desenvolvimento Sustentável' ocorreu no Auditório do BRDE.
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